Portugal
Colaboração: Jean-Michel Tixier x Nooz
Jean-Michel Tixier, um conceituado artista francês
A linha clara é uma linguagem gráfica que nasceu na escola belga de banda desenhada reunida em torno de Hergé, ou seja, o «estilo Tintim». O termo linha clara foi criado em 1977 pelo desenhador neerlandês Joost Swarte, por ocasião da exposição de Tintim em Roterdão. Reconhece-se facilmente pelo traço de tinta preta de espessura constante.
Para Jean-Michel Tixier, cada desenho conta uma história, um estado de espírito, escondido por trás de uma aparente simplicidade.
O humor e a ironia que coloca no seu trabalho fazem dele hoje um dos artistas mais talentosos da sua geração.
É por isso que, desde outubro de 2014, a «M», revista do Le Monde, lhe dá todas as semanas carta branca numa rubrica intitulada «Ligne de mire», onde as suas personagens cómicas, grotescas ou ingénuas oferecem um olhar diferente sobre a atualidade.
Depois de expor na Colette em 2016 e, em Lyon, na Autour de l’image e na Felix Gagnaire em 2017-2018, o ilustrador emblemático da linha clara esteve presente durante todo o inverno de 2018-2019 no hotel Mont-Blanc, em Megève, com a exposição «Calèches & Crustacés». O artista expôs também as suas obras inteiramente dedicadas ao cinema durante o Festival de Cannes 2019, bem como em Melbourne, em 2019.
Há anos que colabora também com marcas de renome mundial como a Lacoste, o Le Bon Marché, a Hermès ou a Birkenstock para criar ilustrações únicas e cheias de humor.
Descobre já a edição limitada em colaboração com Jean-Michel Tixier
A entrevista a Jean-Michel Tixier
O que te inspirou para fazer estes desenhos?
Queria que os desenhos brincassem com a cinta à volta da caixa e com o estojo. Um pouco como um ciclo em que o início e o fim da história se juntam. Foi a primeira ideia que tive.
Depois, desenvolvi o conceito em 3 ilustrações para os 3 produtos diferentes da marca.
Podes contar-nos mais sobre as tuas criações para a Nooz?
Depois de ter o conceito do «ciclo», só faltava encontrar as 3 histórias para contar.
Faço sempre a mesma pergunta a mim próprio: como ser compreensível sendo absurdo. Gosto muito da ideia do «lógico não lógico»!

O importante era que se percebesse bem a utilidade dos 3 produtos no dia a dia, e eu gostava da ideia de 3 personagens que fazem tantos esforços inutilmente.
Quais foram as diferentes etapas para fazer estas ilustrações?
As etapas do meu processo de trabalho são sempre as mesmas. Passo metade do tempo à procura de ideias, escrevo tudo o que acontece até ao mais ínfimo pormenor. Faço o guião dos meus desenhos. Isso é 50% do meu trabalho.
O resto são etapas criativas: os esboços, a passagem a tinta e a escolha das cores.

Hoje já estás habituado a este tipo de projeto. Podes dizer-nos algumas palavras sobre o teu percurso?
Sou autodidata. O meu percurso está sobretudo ligado a encontros importantes. Penso na editora Record Makers: trabalhei no primeiro álbum de Sebastien Tellier e com outros artistas da editora. Foi uma fase em que trabalhava sobretudo na música.
Muito mais tarde, chegou o segundo grande momento da minha carreira: a colaboração com a M le Magazine du Monde. Deram-me carta branca e uma página inteira todas as semanas durante 5 anos. Uns 250 desenhos mais tarde, fiz uma exposição e a decoração das montras da concept store Colette, em Paris.
Consegues escolher O momento mais marcante da tua carreira?
É difícil escolher só um… mas vou dizer a digressão dos AIR em Nova Iorque, com Sebastien Tellier na primeira parte. Os seus primeiríssimos concertos. Era novo e estava a descobrir muitas coisas… Foi uma loucura!
Queremos saber mais! Tens outras histórias para nos contar?
Uma segunda-feira gastronómica que começou ao meio-dia e acabou às 2 da manhã.
Foi o dia da minha primeira colaboração com o chef Pierre Gagnaire, orquestrada por Junior Parado («Junart»). Depois de uma reunião de trabalho, Pierre Gagnaire convidou-nos para almoçar no seu restaurante, o Balzac. Um almoço mais do que generoso, já que eram 17h30 quando saímos. Depois de um longo passeio para fazer a digestão, da rotunda da Étoile até à République, mal tivemos tempo para tomar um duche, preparar-nos para um novo festim e ir à festa anual do Fooding na catedral americana.